• Daniela Barbosa

Você já parou para pensar qual o impacto que o descarte incorreto de medicamentos pode ter?

Hoje, eu quero começar com um exercício de recordação. Tudo bem?


Vamos começar com a seguinte pergunta: Qual foi a última vez que você (ou alguém da sua casa) descartou seus medicamentos? Você lembra quais foram os passos que você (ou essa pessoa) seguiu?

Vamos lá, eu te ajudo a recapitular!

Deixa eu adivinhar:


Primeiro, você separou cuidadosamente as cartelas com os comprimidos e as caixas em uma sacola, frascos de vidro em outra, e por aí vai. Depois de tudo isso, você levou tudo até a farmácia do bairro mais próxima e entregou ao responsável para que ele fizesse o devido descarte. Acertei?

Não!? 👀

Espera... você jogou os remédios onde? No lixo de casa? Deu descarga no vaso sanitário?


PARA TUDO! Uma pequena pausa para absorver o choque repentino...


“Nossa, pra quê toda essa reação?”


Porque hoje, eu e você iremos bater um papo sobre qual a maneira correta de descartar seus medicamentos. Exatamente isso que você ouviu: a maneira correta! E, mais do que falar sobre isso, eu quero te dizer o porquê desse cuidado!


Antes, eu queria te falar que, eu sei! Talvez você sempre tenha feito assim, talvez nunca tenha ouvido falar sobre isso ou até já tenha visto alguém fazer desse jeito e pensou que era o jeito certo.


Acredite, o seu ponto é mais comum do que imagina! Mas hoje, eu espero te ajudar a tirar essa venda dos seus olhos sobre o assunto e até ajudar as pessoas mais próximas de você!


Topa? Então, vamos lá!


Introdução


Os avanços da ciência na área da saúde e as pesquisas de novos tratamentos trouxeram benefícios incontestáveis à saúde da população, o que também proporcionou um aumento considerável na fabricação de novas fórmulas e na quantidade de medicamentos disponíveis para comercialização e consumo.


Entretanto, no contexto da sustentabilidade do meio ambiente, sempre surge a preocupação com resíduos gerados após o consumo de produtos, como os resíduos medicamentosos, por exemplo.


Os chamados Resíduos sólidos (RS) são considerados qualquer material, substância, objeto ou bem descartado destinados nos estados sólido e semi-sólido, resultantes das atividades humanas em sociedade. Dentre os variados tipos de RS há os provenientes de serviços de saúde.



Resíduos de Serviços de Saúde (RSS)


Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) produzidos em qualquer estabelecimento que preste cuidados à saúde humana ou animal demandam uma atenção diferenciada, pois representam riscos sanitários e ambientais.


Atualmente os RSS estão sob a normatização das Resoluções RDC n.º 306/ 2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Resolução n.º 358/ 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que versam sobre as orientações técnicas e legais para o manejo, tratamento e disposição final dos RSS no Brasil.


De acordo com essas resoluções, os RSS são classificados em cinco grupos, sendo os medicamentos descritos como resíduos do grupo B. Esse grupo engloba substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.


Os medicamentos são considerados micropoluentes emergentes (uma forma de agrupar os compostos com o objetivo de chamar a atenção para os riscos à saúde dos ecossistemas) e as possíveis maneiras de seus resíduos atingirem o meio ambiente são: disposição direta, excreção natural e remoção corpórea.



Disposição Direta, Excreção Natural e Remoção Corpórea


A disposição direta de medicamentos ocorre quando ele é descartado diretamente no lixo, pia ou vaso sanitário ou, ainda, na água ou no solo. Na excreção natural, os fármacos são biotransformados antes de serem dispostos pelas vias sanitárias normais. Neste caso, a extensão do metabolismo e da transformação do fármaco dependerá da sua farmacocinética, bem como da genética e das condições de saúde de cada usuário. Por fim, a remoção corpórea de fármacos ocorre pela retirada de medicamentos tópicos durante o banho ou higiene pessoal.


Todas essas rotas justificam a presença de mais de 80 tipos de compostos de diversas classes de fármacos em águas subterrâneas, superficiais e para consumo humano.


Considerando as vias hídricas urbanas, os fármacos podem chegar às estações de tratamento de esgoto e, assim, atingirem as águas superficiais podendo ser captados pelas estações de tratamento para o abastecimento de água potável da população, uma vez que nos processos convencionais, substâncias químicas não são removidas. Logo, é possível a exposição humana involuntária a fármacos pelo consumo de água com resíduos de medicamentos.


Substâncias químicas suspeitas de causar alteração no sistema endócrino, por exemplo, estão potencialmente associadas às doenças como o câncer de testículo, de mama e de próstata, à queda da taxa de espermatozoides, deformidades físicas e funcionais nos órgãos reprodutivos, disfunção da tireóide e alterações relacionadas com o sistema neurológico. Estudos também apontam efeitos adversos na fisiologia de espécies animais, como, por exemplo, a feminização de peixes relacionada à exposição das substâncias, em especial aos hormônios como aqueles presentes em anticoncepcionais.




Fatores que contribuem para o descarte incorreto e quais as orientações


Alguns fatores, como o uso irracional de medicamentos ou o abandono do tratamento, por exemplo, contribuem de forma significativa para o acúmulo de grande quantidade de medicamentos sem utilidade nos domicílios, os quais posteriormente podem ser descartados em lugares inadequados.


Os locais considerados adequados para realizar a entrega ou destinação desses resíduos são: redes de farmácias preparadas para a coleta de resíduos de medicamentos, postos de saúde, hospitais e supermercados que tenham convênios com empresas que realizam a coleta dos RSS, dando a eles o tratamento e disposição final ambientalmente adequada.


Locais que disponibilizam um sistema de gerenciamento de resíduos – por meio do qual a população pode descartar seus medicamentos não usados ou vencidos gratuitamente e de forma segura - evitam que esses sejam jogados no lixo comum, rede de esgotos ou que fiquem acumulados nas residências. É importante salientar que, em Brasília, a coleta de resíduos de medicamentos gerados nos domicílios pode ser direcionada a algumas farmácias, bem como a unidades públicas de saúde.


De acordo com as legislações vigentes no país, as formas de disposição final adequadas para estes resíduos são: disposição em aterro sanitário (quando o resíduo for encapsulado ou inativado por tratamento prévio); em aterro sanitário com proteção de aquíferos e esgotos; incineração e decomposição química.


A Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES/DF) orienta, por meio de notas técnicas, que as unidades de saúde recebam da população os medicamentos vencidos ou em desuso para dar a destinação adequada. Portanto, os resíduos de medicamentos recebidos pelas unidades de saúde do DF são repassados para uma empresa terceirizada/licitada que passa a ser responsável pelo tratamento e disposição final desses resíduos.



Três pontos importantes nos modelos internacionais a serem considerados


Três pontos importantes foram encontrados nos modelos internacionais de gestão. O primeiro diz respeito às companhias responsáveis pela gestão de resíduos de medicamentos que são, na grande maioria, empresas sem fins lucrativos, ou ainda, aquelas que são mantidas pelas indústrias farmacêuticas.


O segundo ponto é relativo à conscientização dos riscos dos resíduos de medicamentos junto à população no qual todos os países mantêm alguma ferramenta como programas educativos. É evidente que medidas educacionais são importantes e responsabilizam o usuário como um dos atores no ciclo de vida dos medicamentos. Essas medidas devem ser contínuas para que os resultados em termos de conscientização da população possam ser observados.


O terceiro ponto está relacionado à responsabilidade compartilhada entre os atores no ciclo de vida dos medicamentos. A logística reversa de medicamentos é uma ferramenta da gestão de resíduos adotada pela maioria dos países.



E aí? Podemos, por favor, dizer que a sua "faxina" nunca mais será a mesma?😉 Lembre-se: A responsabilidade para que o descarte seja cada vez mais realizado da melhor forma, depende de cada um de nós. Uma atitude simples que você faz, pode ter um grande impacto, mas sabemos que precisamos de mais pessoas!


Conhece alguém que ia se beneficiar da matéria? Compartilha! Quer saber mais sobre esse e outros assuntos? Nos siga nas nossas outras redes sociais! A Terapêutica realiza alguns serviços que trazem esse apelo! Como a Campanha de Descarte de Medicamentos que tem como uma conquista a implementação do Totem de Descarte de Medicamentos e a conscientização da população.


Além de outros serviços! Sua farmácia do bairro não tem? Manda pro farmacêutico ou o dono!

A gente pode ajudar!


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Abraço! Att, Daniela Barbosa.


REFERÊNCIAS:


1. RAMOS, HAYSSA MORAES PINTEL et al. MEDICATION DISPOSAL: A REFLECTION ABOUT POSSIBLE SANITARY AND ENVIRONMENTAL RISKS. Ambiente & Sociedade [online]. 2017, v. 20, n. 04 [Acessado 10 Agosto 2021] , pp. 145-168. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc0295r1v2042017>. ISSN 1809-4422. https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc0295r1v2042017.

2. Oliveira, Nubia Regina de et al. Revisão dos dispositivos legais e normativos internacionais e nacionais sobre gestão de medicamentos e de seus resíduos. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2019, v. 24, n. 8 [Acessado 10 Agosto 2021] , pp. 2939-2950. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232018248.05712017>. Epub 05 Ago 2019. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232018248.05712017.

3. Amarante, Juliana Aparecida Souza, Rech, Tássio Dresch e Siegloch, Ana Emilia. Avaliação do gerenciamento dos resíduos de medicamentos e demais resíduos de serviços de saúde na Região Serrana de Santa Catarina. Engenharia Sanitaria e Ambiental [online]. 2017, v. 22, n. 02 [Acessado 11 Agosto 2021] , pp. 317-326. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-41522016150080>. Epub 27 Out 2016. ISSN 1809-4457. https://doi.org/10.1590/S1413-41522016150080.

4. Alencar, Tatiane de Oliveira Silva et al. Descarte de medicamentos: uma análise da prática no Programa Saúde da Família. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2014, v. 19, n. 7 [Acessado 11 Agosto 2021] , pp. 2157-2166. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232014197.09142013>. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232014197.09142013.

5. FARIA DA SILVA, A.; LÚCIA FRANCISCO DIAS MARTINS, V. LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS-CONSUMO DE MEDICAMENTOS EM GOIÂNIA E REGIÃO METROPOLITANA – UM ESTUDO DE CASO. Boletim Goiano de Geografia, [S. l.], v. 37, n. 1, p. 56–73, 2017. DOI: 10.5216/bgg.v37i1.46243. Disponível em: https://revistas.ufg.br/bgg/article/view/46243. Acesso em: 11 ago. 2021.



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